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Sem Abrigo

É o pão,

que na ocasião

nos põem na mão

ou no papelão,

desta solidão.

É fruta boa,

que em Lisboa

é dada à toa,

com uma loa,

que chata nos soa.

É o vinho,

do Alentejo ou do Minho,

que aquece como arminho,

em toalha de linho

e um ramo de azevinho.

É a fome,

que nos consome

se não se come.

É o abrigo,

de um sem abrigo,

que fecha o postigo

da caixa de um artigo

e, no sono a que ligo,

durmo...contigo.

Apesar do frio

ou da chuva a fio,

num nocturno pio,

esqueço o desvario

e, a sonhar, rio.

Maçã verde
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