
Pinto Calçudo
História do Pinto Calçudo

Era uma vez um pinto, muito bonito, com penas compridas nas pernas que faziam lembrar umas calças amarelas.
Um dia achou um saco de moedas no quintal e pensou levar o saco ao rei. Assim fez. Andou, andou, até que encontrou um rio que o impedia de passar e não teve outro remédio senão beber-lhe a água toda. Continuou a andar e, de repente, surge-lhe uma raposa. Como esta o não queria deixar passar o pinto calçudo não teve outra solução senão engolir a raposa inteirinha.
Lá conseguiu, por fim, o nosso pinto, chegar ao Palácio. Pediu para falar com o rei e entregou-lhe o saco de moedas. O rei nem agradeceu e mandou fechar o pinto na capoeira e este, sentindo-se ofendido por não lhe ter sido dada nenhuma honraria, começou a cantar:
_ Qui quiri qui qui, quero o meu saco de moedas já aqui, qui quiri qui qui, quero o meu saco de moedas já aqui. Como não lhe levaram o saco, lançou fora a raposa que tinha engolido e esta comeu todas as galinhas.
Furioso o rei ordenou aos criados que pusessem o pinto calçudo numa fogueira.
_ Qui quiri qui qui, quero o meu saco de moedas já aqui, qui quiri qui qui, quero o meu saco de moedas já aqui, voltou o pinto a cantar, como ninguém lhe ligou e começando já a sentir o calor do fogo, lançou fora toda a água do rio que tinha bebido e apagou a fogueira.
O rei, muito zangado, pois a água corria por todo o palácio, deu ao pinto calçudo o saco de moedas e ordenou-lhe que se fosse embora, o que ele fez, imediatamente, saltitando de contente com o saco debaixo da asa, pensando, pelo caminho, que é bom ter sempre qualquer coisa que nos defenda das dificuldades, que podem surgir, muitas vezes, quando menos se esperam.