
Pinto Calçudo
SECLA
Com este poema concorri a uns jogos florais, assim lhes chamavam, realizados na SECLA (Sociedade de Exportações de Cerâmica, Limitada) em 1959. Sociedade de exportação mas que também fabricava, o que ainda acontece (2006). Lá trabalhei, como pintor, no começo da minha vida.
A SECLA era uma fábrica que teria, na altura, duas ou três centenas de trabalhadores, mas que tinha uma equipa de futebol, outra de ginástica, várias de ténis de mesa e basquetebol, um grupo de teatro, uma pequena orquestra, bar, refeitório, etc..
É certo que a televisão ainda não tinha tomado conta das nossas vidas e os tempos livres eram, na verdade, tempos livres e tinham, assim, muito por onde se ocuparem.
Numa altura em que o interesse pelo bem-estar dos trabalhadores não era generalizado, nem muito levado em conta, a SECLA era de facto uma unidade industrial evoluída.
Esta fábrica tinha, ainda, um atelier aberto à participação de grandes artistas nacionais e até internacionais da pintura e escultura e isso teve como resultado o aparecimento de peças de cerâmica originais e de arte bem patente, e que ainda hoje as guardam, quem tem a felicidade de as possuir, religiosamente.
Foi este o meu contributo, premiado, para o tema Louça da SECLA dos tais jogos florais, numa das suas muitas festas de convívio.
Aos meus amigos destes lugares e destes tempos
Camões, pediu S. Pedro, coisa rara,
vai à SECLA e compra louça, por quem sois.
Fui. Que maravilha ao meu olho se depara,
maldita Ceuta, quem me dera ter os dois.
Quando a mostrar no Céu, ao chegar lá,
que bela! ... dirão, decerto, os ancestrais.
Ali outra louça ninguém terá.
Virá Santo António comprar mais.