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O Jacinto e o Joaquim

À coragem dos emigrantes

O avião tardava.

era o tempo, contratempo,

a atrasar o tempo,

já tinha passado por pior

mas agora,

quanto mais depressa

melhor.

De repente,

mesmo em frente,

nesse mesmo instante,

aparece o Joaquim,

filho do Lima,

primo,

por ter casado

com a prima.

Foi uma alegria

sózinho,

é que já não ia.

- Então pá

não me digas

que também vais

para lá.

- Vou. P'ra Filadélfia.

- Eu vou e mais tarde,

a Libânia,

p'rá Pensilvânia.

e partiram,

lado a lado,

sem sequer

terem marcado.

- Ó Joaquim

cá dentro, isto,

parece a caminete,

p'ra maior,

tá visto.

e também salta,

como lá,

será que esta estrada

também está má?

Mas outras vezes,

parecia,

que estava parado

não se mexia.

Novecentos quilómetros,

por hora,

é obra

nossa Senhora.

E comeram...

- Ó Jacinto

será que eles

também têm tinto?

- Penso que sim

eu quero leite,

para mim,

é a úlcera

que está ruim.

E beberam

e falaram

até ao apertar,

do cinto

para aterrar.

- A mim

vêm-me buscar,

nunca mais nos vemos,

se calhar,

dá cá um abraço,

dá outro à prima,

nunca mais te ponho

a vista em cima.

é o mais natural.

É que isto é maior

que Portugal.

Apesar da fala,

sem quase dizer nada,

lá chegou o Jacinto

à fábrica indicada.

Você vai para ali

para o lado do que,

de Portugal,

chegou antes de si.

Que bom para mim

mas nossa Senhora

é o Joaquim...

- Mas tu não ias

p'ra outro lado

meu safado.

- É a mesma coisa

disse o meu cunhado,

que é da Batalha,

e também

cá trabalha.

- Temos que ir beber

para festejar.

E ao sair,

sem saberem falar,

viram um sítio

mesmo a calhar.

Porta fechada

e um homem a acenar

que não, com a mão,

- Too late,Too late,

- P'ra mim serve,

disse o Jacinto

mas pr'o Joaquim

pode ser tinto

- Too late,Too late,

repetiu,

virou as costas

e sumiu.

- Vá lá a gente entender

pois até parecia

que te conhecia,

tu leite, tu leite,

sabes que mais

pariu uma mãe um filho

para andar

neste sarilho.

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