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Morreu a Ti Rosa

Lá vai a ti Rosa

do alto do monte

vergada ao peso

do cântaro p'ra fonte,

dos fechos de lenha

da erva, do estrume,

e sem azedume,

lá vai conformada.

Foi de madrugada

que se levantou,

o sol já caiu

e ainda não voltou

à casa que a espera,

por arrumar,

e a horta também

quebrada de sede.

Lá vai a correr

fazer o comer

p'ró homem que tem,

que já não trabalha,

deitado na cama

esperando a mortalha.

Morreu a ti Rosa

ninguém deu por nada

nada viu do mundo,

viveu isolada

no alto do monte.

Morreu a ti Rosa

que ninguém chora,

vizinha ou parente,

e para quê chorar

se a rosa por fim

conseguiu descansar.

Viveu o suficiente,

como sempre pediu,

por tal vai feliz

porque partiu

depois de levar,

lúcida e serena,

o homem que tinha

à ultima morada.

Morreu a ti Rosa,

cumpriu-se o destino,

vai descansada.

Rosas cor de rosa
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