
Pinto Calçudo
Gente da Serra
Gente da serra
Com gosto trabalha
Ele de boné
Ela de chapéu de palha
Abas caídas, atadas no queixo
Falam da vida
Sempre que calha
Um dia ele ouviu
Na América é que se está bem
E cruzou o oceano
Sem dizer nada a ninguém
Nem a fala nem o clima
O fizeram arrepender
Para não estar sozinho
Levou também a mulher
Gente da serra
Com gosto trabalha
Ele de boné
Ela de chapéu de palha
Abas caídas, atadas no queixo
Falam da vida
Sempre que calha
Fez assim outro destino
Mas a saudade é que dói
Por cima da casa velha
Outra casa se constrói
Nascem filhos na América
E depois são os netos
Aqui fica a lembrança
Para lá vão os afectos
Gente da serra
Com gosto trabalha
Ele de boné
Ela de chapéu de palha
Abas caídas, atadas no queixo
Falam da vida
Sempre que calha
Entre a América e Portugal
Ficam sempre repartidos
Têm agora duas pátrias
A que vão dando sentidos
Mas na altura da festa
Ai então é sempre em frente
Para afogar as saudades
Num tintinho cá com a gente
Gente da serra
Com gosto trabalha
Ele de boné
Ela de chapéu de palha
Abas caídas, atadas no queixo
Falam da vida
Sempre que calha